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Cinco redes sociais "made in China" que deves conhecer

Dada a sua população, a China é o maior mercado mundial de redes sociais, contabilizando, segundo dados do site Statista.com, cerca de 882 milhões de utilizadores em 2019 - cerca de 63% da população total. Dados estes números, não é de espantar que, apesar da conhecida "Great Firewall" (o sistema chinês de censura que escrutina e elimina todo o conteúdo online considerado indesejável), o país apresente uma enorme diversidade de redes sociais com as mais variadas funcionalidades, não só conectando os chineses com os seus familiares e amigos, como também oferecendo serviços diversos para as várias necessidades do dia a dia. Neste post, apresento-te cinco das mais populares: 

1. Wechat
Criado em 2011 pela empresa Tencent, o Wechat (em chinês, Weixin 微信) começou por ser uma aplicação de mensagens instantâneas, como o WhatsApp e o Messenger. Atualmente, para além desta funcionalidade, é possível partilhar conteúdos através de um feed ("Momentos"), efetuar pagamentos (falarei nisso num outro post), comprar bilhetes de cinema, chamar um táxi e muito mais! Se vais viver para a China durante algum tempo ou manténs contacto frequente com o público chinês, o Wechat é, sem dúvida, uma ferramenta indispensável no teu quotidiano.

2. QQ
Conhecido como o "irmão mais velho" do Wechat, o QQ, também criado pela Tencent em 1999, permite, para além do envio de mensagens instantâneas, a criação de posts e partilha de conteúdos multimédia, a participação em grupos tendo em conta os interesses de cada utilizador, ouvir música e jogar, entre outros. Apesar de semelhante em termos de funcionalidades, no QQ não precisas de ter um número de telefone para te registares e podes partilhar posts criados por outras pessoas - o que não acontece no Wechat, em que aquilo que partilhas nos chamados "Momentos" é apenas visível para os teus contactos.

3. Weibo
Conhecido como o Twitter chinês, o Weibo (微博) foi lançado em 2009. É uma ferramenta que te permite publicar conteúdo escrito no feed com limite máximo de carateres, acompanhado de fotos ou vídeos. Tal como na versão ocidental, podes "gostar", seguir, comentar e partilhar posts de outras pessoas, mesmo não as seguindo ou ser seguido por elas. 

4. TikTok
Curiosamente, esta app tem-se tornado bastante popular em Portugal, e acredito que, até há pouco tempo, muitos dos seus utilizadores cá não sabiam que o TikTok tinha origem na China até ouvirem as notícias de que Trump a iria banir dos EUA caso não fosse vendida - o que acabou por não acontecer. Concebida pela ByteDance, o TikTok (em chinês, Douyin 抖音) permite a criação e partilha de pequenos vídeos sobre os mais variados assuntos, os quais podem ser editados recorrendo a stickers engraçados e efeitos especiais.

5. Zhihu
Criado em 2011, o Zhihu (知乎) é a versão chinesa do Quora. Basicamente, permite aos utilizadores fazerem perguntas e responderem às questões de outras pessoas. Por apresentar uma funcionalidade de "melhor resposta", consegues encontrar conteúdo de boa qualidade, com respostas bastante completas e informativas. Se fores fluente em Mandarim, o Zhihu é uma ótima plataforma para tirares alguma dúvida que tenhas sobre os mais variados assuntos.

Se vais viajar para a China durante algum tempo ou pretendes expandir o teu negócio para o mercado chinês, estas redes sociais são ferramentas indispensáveis na comunicação com os chineses, no conhecimento da sua cultura e modo de vida e na realização das mais variadas tarefas do quotidiano. Para evitar quaisquer mal-entendidos, deves ter em atenção o conteúdo a publicar, o qual não pode tocar em temas considerados "sensíveis", como as questões de Xinjiang, Tibete e Taiwan, ou críticas à ideologia comunista e forma de atuação do governo. Quando bem utilizadas - tal como acontece com as redes sociais que conhecemos -, estas ferramentas são uma preciosa ajuda ao quotidiano de qualquer um que procure um contacto aprofundado com a China.

FONTE: https://www.statista.com/statistics/277586/number-of-social-network-users-in-china/ 

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